14 de ago de 2011

LINFOMA HODGKIN e LINFOMA NÃO-HODGKIN

Linfomas são transformações malignas (câncer) das células linfóides que residem no nosso sistema linfático. Para entender o que é um linfoma e qual a diferença para a leucemia, devemos primeiro entender o que é o sistema linfático e quais são as células que o compõe. Leia com atenção este início do texto que ficará muito simples entender o que é o linfoma.

Sistema linfático

O sistema linfático é um conjunto de vasos, linfonodos e tecidos que possuem 4 funções básicas:

1. Remoção de líquidos que estão fora da circulação sanguínea, como nos casos de edemas. Os vasos linfáticos estão espalhados pelo corpo assim como os vasos sanguíneos. Ambos estão interligados.

2. Absorção das gorduras digeridas nos intestinos para a circulação sanguínea.

3. Desenvolvimento e circulação das células de defesa, chamados de linfócitos. Os linfócitos são apenas um das linhagens dos glóbulos brancos, que entre suas funções está a produção dos anticorpos.
4. Recolher e encaminhar microrganismos invasores até os órgãos linfóides para que possam ser combatidos pelo nosso sistema imune.


Os vasos linfáticos transportam a linfa, um líquido brancacento formado basicamente de plasma e glóbulos brancos. Como já citado, estes vasos recolhem o excesso de líquido que extravasa dos vasos sanguíneos e que normalmente se aloja no meio intercelular. Esse líquido recolhido viaja até os linfonodos, também chamados de gânglios linfáticos. Os linfonodos são ricos em células de defesa e qualquer microrganismo invasor que por lá passe, é eliminado. São uma espécie de delegacia de polícia do corpo. Depois desta "filtragem" o líquido linfático retorna ao vaso sanguíneo.

O baço, o timo e as amígdalas são órgãos linfáticos. Grosseiramente, podemos dizer que funcionam como grandes linfonodos.


LINFOMA NÃO-HODGKIN


Definição

O linfoma não-Hodgkin é um câncer do tecido linfoide, que inclui os linfonodos (gânglios), o baço e outros órgãos do sistema imunológico.
Linfoma - não Hodgkin; linfoma linfocítico; Linfoma histiocítico; Linfoma linfoblástico; Câncer – linfoma não-Hodgkin

Causas, incidência e fatores de risco

Os glóbulos brancos chamados linfócitos são encontrados nos tecidos linfáticos. A maioria dos linfomas começa em um tipo de glóbulo branco chamado de linfócito B, ou célula B.



Foto: ADAM
Estruturas do sistema imunológico
O sistema imunológico protege o corpo contra substâncias potencialmente perigosas. A resposta inflamatória (inflamação) é parte da imunidade inata. Ocorre quando os tecidos são lesados por bactérias, trauma, toxinas, calor ou qualquer outra causa.
Para a maioria dos pacientes, a causa desse câncer é desconhecida. Entretanto, os linfomas podem se desenvolver em pessoas com o sistema imunológico debilitado. Por exemplo, o risco de linfoma aumenta depois de um transplante de órgão ou em pessoas infectadas pelo HIV.
Existem muitos tipos diferentes de linfomas não-Hodgkin. Eles são classificados de acordo com a velocidade de propagação do câncer.
  • O câncer pode ser de um grau baixo (crescimento lento), grau médio ou grau alto (crescimento rápido). O linfoma de Burkitt é um exemplo de linfoma de alto grau.
  • O câncer é ainda subclassificado de acordo com a aparência das células no microscópio, por exemplo, se estão presentes certas proteínas ou marcadores genéticos.
De acordo com a American Cancer Society, há uma probabilidade de 1 em 50 de que uma pessoa desenvolva linfoma não-Hodgkin. Na maioria das vezes, este câncer afeta adultos. Porém, as crianças podem ter algumas formas de linfoma. Os grupos de risco são aqueles que receberam um transplante de órgão ou que têm o sistema imunológico debilitado.
Este tipo de câncer é ligeiramente mais comum em homens do que em mulheres.

Sintomas

O linfoma não-Hodgkin pode causar uma série de sintomas. Os sintomas dependem da área do corpo afetada pelo câncer e por sua velocidade de crescimento.
Os sintomas podem incluir:
  • Suores noturnos (ensopando os lençóis e pijamas mesmo que a temperatura ambiente não seja muito alta)
  • Febre e calafrios que vêm e vão
  • Coceira grave que não pode ser explicada
  • Linfonodos inchados no pescoço, axilas, virilha ou outras áreas
  • Perda de peso não intencional e perda de apetite
Pode haver tosse e falta de ar se o câncer afetar o timo ou os linfonodos do peito, o que pode pressionar a traqueia ou outras vias aéreas.

Foto: ADAM
Linfoma, maligno - Tomografia computadorizada
Alguns pacientes podem ter dor abdominal ou inchaço, que pode levar a perda do apetite, constipação, náusea e vômito.
Se o câncer afetar as células do cérebro, a pessoa pode ter dor de cabeça, problemas de concentração, alterações na personalidade e convulsões.

Exames e testes

O médico realizará um exame físico e verificará áreas do corpo com linfonodos para ver se estão inchadas. Os exames para diagnosticar e determinar o estágio do linfoma não-Hodgkin incluem:
  • Exame de perfil metabólico, incluindo níveis de proteína, exame de função hepática, exame de função renal e nível de ácido úrico
  • Aspiração e biópsia da medula óssea
  • Hemograma completo para detectar anemia e baixa contagem de leucócitos
  • Tomografias computadorizadas do tórax, abdome e pélvis
  • Varredura com gálio
  • Biópsia de linfonodos
  • Tomografia por emissão de pósitrons
  • Radiografia

Tratamento

O tratamento principal depende de:
  • Tipo de linfoma
  • Estágio do câncer quando é feito o diagnóstico
  • Idade e saúde geral
  • Sintomas, incluindo perda de peso, febre e suores noturnos
A radioterapia pode ser usada para a doença limitada a uma região do corpo.
A quimioterapia é normalmente usada como a principal forma de tratamento. Na maioria das vezes, são usadas diferentes drogas combinadas.
Outra droga, chamada rituximab, é usada com frequência para tratar o linfoma não-Hodgkin de células B.
A radioimunoterapia pode ser usada em alguns casos. Isso envolve ligar uma substância radioativa a um anticorpo que ataca as células cancerosas e injetar a substância no corpo.
As pessoas com um linfoma que reincide depois do tratamento ou que não responde ao tratamento podem receber quimioterapia de alta dosagem seguida de um transplante autólogo de medula óssea (usando células-tronco do próprio paciente).
Os tratamentos adicionais dependem dos demais sintomas. Eles podem incluir:
  • Transfusão de derivados do sangue, como plaquetas ou hemácias, para combater a baixa contagem de plaquetas e a anemia
  • Antibióticos para combater a infecção, principalmente se houver febre

Evolução (prognóstico)

O linfoma não-Hodgkin de baixo grau geralmente não pode ser curado somente com a quimioterapia. Porém, a forma de baixo grau deste câncer progride lentamente, e pode levar muitos anos até que a doença piore ou inclusive para que ela precise de qualquer tratamento.
A quimioterapia frequentemente é capaz de curar muitos tipos de linfoma de alto grau. Entretanto, se o câncer não responder às drogas quimioterápicas, a doença pode levar rapidamente à morte.

Complicações

  • Anemia hemolítica autoimune
  • Infecção
  • Efeitos colaterais das drogas quimioterápicas

Ligando para o médico

Consulte um profissional da área da saúde se desenvolver sintomas dessa doença.
Se você tem linfoma não-Hodgkin, entre em contato com seu médico se tiver febre persistente ou outros sinais de infecção.


LINFOMA HODGKIN

Definição

O linfoma de Hodgkin é um câncer de tecido linfático encontrado nos linfonodos, baço, fígado, medula óssea e outros locais.

Nomes alternativos

Linfoma - doença de Hodgkin; câncer – linfoma de Hodgkin

Causas, incidência e fatores de risco

O primeiro sinal desse câncer é frequentemente um linfonodo aumentado que aparece sem uma causa conhecida. A doença pode se espalhar para os linfonodos vizinhos. Posteriormente ela pode se espalhar para o baço, fígado, medula óssea ou outros órgãos.
A causa é desconhecida. O linfoma de Hodgkin é mais comum em pessoas de 15 a 35 e de 50 a 70 anos. Considera-se que a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) contribua na maioria dos casos.

Sintomas

  • Fadiga
  • Febre e calafrios que vão e vêm
  • Prurido em todo o corpo que não pode ser explicado
  • Perda de apetite
  • Suores noturnos
  • Edema indolor dos linfonodos do pescoço, axila ou virilha (glândulas inchadas)
  • Perda de peso que não pode ser explicada
Outros sintomas que podem ocorrer com essa doença:
  • Tosse, dor no peito ou problemas para respirar se houver linfonodos inchados no peito
  • Suor excessivo
  • Dor ou sensação de estar cheio abaixo das costelas devido ao inchaço do baço ou fígado
  • Dor nos linfonodos depois de beber álcool
  • Pele avermelhada ou quente
Observação: Os sintomas causados pelo linfoma de Hodgkin também podem ocorrer em outras doenças. Converse com seu médico sobre o significado dos seus sintomas específicos.

Exames e testes

A doença pode ser diagnosticada após:
  • Biópsia do tecido suspeito, normalmente uma biópsia de linfonodo
  • Biópsia de medula óssea
Se os exames revelarem a presença de linfoma de Hodgkin, poderão ser feitos exames adicionais para ver se o câncer se propagou. Isso é chamado estadiamento. O estadiamento ajuda a guiar tratamentos futuros e o acompanhamento, além de dar a você uma perspectiva sobre o que esperar para o futuro.
Os seguintes procedimentos geralmente são feitos:
  • Exame de perfil metabólico incluindo níveis de proteína, exame de função hepática, exame de função renal e nível de ácido úrico
  • Tomografia computadorizada de tórax, abdome e pélvis
  • Hemograma completo para verificar se existe anemia e efetuar a contagem de leucócitos
  • Tomografia por emissão de pósitrons
Em alguns casos, a cirurgia abdominal para retirar um pedaço do fígado e remover o baço pode ser necessária. Contudo, como os outros exames atualmente são muito bons em detectar a propagação do linfoma de Hodgkin, a cirurgia geralmente não é necessária.

Tratamento

O tratamento principal depende do seguinte:
  • Tipo de linfoma de Hodgkin (a maioria das pessoas tem o linfoma clássico)
  • Estágio (onde a doença se encontra)
  • Se o tumor tem mais de 10 cm
  • Idade do paciente e outros problemas médicos
  • Outros fatores como perda de peso, suores noturnos e febre
A avaliação do estágio é necessária para determinar o plano de tratamento.
  • O estágio I indica que somente uma região de linfonodos está envolvida (por exemplo, o lado direito do pescoço).
  • O estágio II indica o envolvimento de duas áreas de linfonodos no mesmo lado do diafragma (por exemplo, os dois lados do pescoço).
  • O estágio III indica envolvimento de linfonodos de ambos os lados do diafragma (por exemplo, virilha e axila).
  • O estágio IV envolve a propagação do câncer para fora dos linfonodos (por exemplo, medula óssea, pulmões ou fígado).
O tratamento varia com o estágio da doença e a idade do paciente. O melhor tratamento depende de cada indivíduo e deve ser discutido com um médico que tenha experiência no tratamento dessa doença.
  • Os estágios I e II (doença limitada) podem ser tratados com radioterapia local, quimioterapia ou uma combinação de ambas.
  • O estágio III é tratado somente com quimioterapia ou uma combinação de radioterapia e quimioterapia.
  • O estágio IV (doença disseminada) é mais frequentemente tratado somente com quimioterapia.
As pessoas com linfoma de Hodgkin que reincide depois do tratamento ou que não responde ao tratamento podem receber quimioterapia de alta dosagem seguida de um transplante autólogo de medula óssea (usando células tronco do próprio paciente).
Os tratamentos adicionais dependem dos demais sintomas. Eles podem incluir:
  • Transfusão de derivados do sangue, como plaquetas ou hemácias, para combater a baixa contagem de plaquetas e a anemia
  • Antibióticos para combater a infecção, principalmente se houver febre

Evolução (prognóstico)

A doença de Hodgkin é considerada um dos tipos mais curáveis de câncer, principalmente se for diagnosticado e tratado a tempo. Diferentemente de outros tipos de câncer, a doença de Hodgkin muitas vezes pode ser curada mesmo em estágios mais avançados.
Com o tratamento correto, mais de 90% das pessoas com linfoma de Hodgkin de estágios I ou II sobrevivem por pelo menos 10 anos. Se a doença já tiver se propagado, o tratamento será mais intenso, mas a porcentagem de pessoas que sobrevive por 5 anos é de cerca de 90%.
Os pacientes que sobrevivem até 15 anos depois do tratamento têm maior probabilidade de falecer mais tarde por outra causa que não a doença de Hodgkin.
As pessoas com linfoma de Hodgkin cuja doença reincide dentro de um ano após o tratamento ou que não responde à terapia de primeira linha têm um prognóstico pior.
É importante que os pacientes façam exames e diagnósticos por imagem periódicos durante anos depois do tratamento, para detectar sinais de relapso e verificar os efeitos a longo prazo dos tratamentos.

Complicações

As complicações a longo prazo da quimioterapia ou da radioterapia incluem:
  • Doenças da medula óssea
  • Cardiopatia
  • Incapacidade de se reproduzir (infertilidade)
  • Problemas pulmonares
  • Outros tipos de câncer
  • Problemas de tireoide
A quimioterapia pode provocar baixos níveis de células sanguíneas, o que pode levar a um maior risco de hemorragia, infecção e anemia. Para minimizar a hemorragia, aplique gelo e pressione qualquer sangramento externo. Use uma escova de dente e um barbeador elétrico suaves para a higiene pessoal.
As infecções devem ser sempre levadas a sério durante o tratamento contra o câncer. Entre em contato com seu médico imediatamente se desenvolver febre ou outros sinais de infecção. Planejar as atividades diárias com períodos de descanso programados pode ajudar a prevenir a fadiga associada à anemia.

Ligando para o médico

Ligue para seu médico se:
  • Tiver sintomas de linfoma de Hodgkin
  • Estiver sendo tratado para linfoma de Hodgkin e sentir efeitos colaterais da radioterapia ou da quimioterapia, inclusive náuseas, perda de apetite, vômitos, diarreia, febre ou hemorragia.




Fonte:

LINFOMA HODGKIN e LINFOMA NÃO-HODGKIN. Disponivel em:

LINFOMA HODGKIN e LINFOMA NÃO-HODGKIN. Disponivel em:



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